Mostrando postagens com marcador Antigüidades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Antigüidades. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 16 de julho de 2010

DO IDEAL

“Como são belas

indizivelmente belas

essas estátuas mutiladas...

Porque nós mesmos lhes esculpimos

– com a matéria invisível do ar –

o gesto de um braço... uma cabeça anelada... um seio...

tudo o que lhes falta!”

(Mário Quintana, “Do Ideal” em A Cor do Invisível, 2ª edição, pág. 49, Editora Globo, SP, 1994)









Estas estátuas são fascinantes. Encontram-se na Praça Dom Sebastião, em frente à Igreja da Conceição. Não consegui identificar quem as esculpiu, nem em que época. Há referências apenas de que são feitas em mármore de origem portuguesa e que pertenceram originalmente a um conjunto de cinco – hoje são apenas estas quatro – inseridas numa fonte luminosa, com cascatas artificiais, erigida no centro da Praça da Matriz – Praça Marechal Deodoro – no início do século XIX.

A fonte foi transferida da Praça da Matriz para o local onde se encontram as estátuas remanescentes – Praça Dom Sebastião - em 1935. Nos dias atuais, o local é deprimente, pelo estado deplorável que o vandalismo o colocou. Não há mais a fonte, e o lago central está vazio – ou pelo menos estava, no dia em que fiz as fotos. Há indicações de que será tudo restaurado, mas o movimento nesse sentido é inexistente. Que pena, minha Porto Alegre! Quantas coisas bonitas são sonegadas de ti, desfigurando os teus logradouros e as tuas paisagens que sempre foram tema para os poetas, como Mário Quintana, que talvez tenha escrito o poema acima ao ver estes restos magníficos do que foi, um dia, uma fonte luminosa.

* * *

Do conjunto original de cinco estátuas, uma “desapareceu”. Eram alegorias que representavam, cada uma, um dos rios que formam o estuário do Guaíba: O Rio Gravataí, o Rio Caí, o Rio Jacuí e o Rio dos Sinos, além do próprio Guaíba, que é a que falta.

Ainda bem que na falta do poder público e dos poetas, ainda existem alguns fotógrafos que registram, pelo menos, o que sobrou de um tempo pleno de glórias, romantismo e beleza.

* * *

Vejam algumas fotos sobre o mesmo tema, inseridas aqui no blog, em 14 Nov 2007 – Imagens do Meu Porto – II:

http://ensaios-fotos.blogspot.com/2007/11/retratos-do-meu-porto-ii.html


terça-feira, 9 de março de 2010

Ivoti / RS - IV

ANTIGA IGREJA MATRIZ DE SÃO PEDRO APÓSTOLO






Esta Igreja fica no centro da Cidade de Ivoti. Seu estado é de quase ruínas. Foi construída em 1869 e sofreu um incêndio em 1924 quando duas crianças teriam subido até sua torre, com velas acessas, para procurarem ninhos de passarinhos, brincadeira da qual resultaram faíscas que acabaram incendiando as palhas dos ninhos e se espalhado por todo o templo. Depois de restaurada, voltou a sofrer novo incêndio em 1986, ano em que ocorreu seu tombamento. As causas deste novo desastre até hoje não estão esclarecidas. Há vinte e quatro anos! (*)
É referência na memória da comunidade e faz parte do Patrimônio Histórico do Estado. Consta estar em processo de restauração, entretanto, visitei e examinei o local e não percebi nenhum vestígio de obras em andamento. É uma pena, pois o templo é bonito e não merecia estar no estado em que se encontra. Com a palavra a Comunidade.
* * *
(*) Ver “PONTOS TURÍSTICOS” no site da Prefeitura Municipal de Ivoti, de onde colhi os dados transcritos

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Avenida Independência - II

UM TEMPO PRESERVADO







Continuando com a publicação das fotos que fiz recentemente na Avenida Independência, mostro agora um exemplo – dentre os incontáveis, existentes em minha Cidade – de edificações antigas que foram restauradas e conservam boa parte suas características originais.

Não é o caso destas duas que certamente tiveram a cor de sua pintura alterada, o que com freqüência acontece quando esses prédios são utilizados para lojas de antiquários e de obras de arte. Reparem que a de cores amarela e vermelha abriga uma loja de antigüidades, enquanto que na parte geminada, ao lado, nas cores violeta e branca, temos um salão de cabeleireiros.

Há notável contraste entre as duas partes, mas... o que fazer?! Até acho que ficou bonito.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Rescaldos de fim de ano - II

SANTA MARIA (RS)
VIAÇÃO FÉRREA





Quem conheceu a antiga e movimentada Estação Ferroviária de Santa Maria no seu apogeu, sente hoje um profundo pesar quando olha os escombros que ainda teimam em se manterem em pé. Construção de 1885, não resistiu ao tempo e ao "progresso". 

Era – nos idos de 1959, quando a conheci – ainda efervescente. Entroncamento ferroviário mais importante do Estado, por ali passavam trens em todas as direções e os passageiros de inúmeras origens se cruzavam num vai-vem constante em busca de seus destinos. 

Fiz estas fotos no dia 8 de novembro (dia da festa da Medianeira), depois de passeio pleno de saudosimo e melancolia pelo que restou de suas dependências. 

Apesar dos estragos, ainda pode-se avaliar a beleza da velha estação. Sua fachada principal aparenta, externamente, alguma conservação, mas se andarmos pela plataforma podemos constatar do quanto o descaso e a negligência (muito mais do que o tempo) com um patrimônio de valor inestimável, é capaz. 

É uma pena!

Evandro

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A Poesia da Praça

MERCADO DE NOSTALGIAS












Nostalgicamente percorro as tendas repletas de coisas antigas. Nem sempre resisto à tentação de tocá-las. De segurá-las na mão e aproximá-las dos olhos, numa atitude instintiva de quem busca algo que ficou perdido num tempo que longe vai.

Aqui, vejo porcelanas decoradas com os mais delicados desenhos. Logo ali, cristais refletem os raios do sol matinal, produzindo, por sua refração, um incrível efeito luminoso que não sei como descrever. Ao lado, lustres compostos de centenas de pequeninas peças fitam-me pendentes de suportes estranhos.

Entre moedas, bronzes e pratarias, vislumbro louças e vasos, abajures e telefones, câmeras fotográficas, estatuetas, esculturas, ânforas e quadros, relógios e discos de vinil. Também há jóias. Colares. Pulseiras, brincos, anéis. Broches e camafeus. Ouro e prata, diamantes, esmeraldas e águas-marinhas. Que um dia foram utilizados rotineiramente, decoraram lares e ornamentaram senhoras elegantes.

Atrás de um biombo repleto de brocatéis, lenços de seda e vestidos em finos tecidos, revejo, depois de muito tempo, pesado reposteiro, muito semelhante àqueles das casas de nossas bisavós. Encontro retratos amarelados e cartões postais da Porto Alegre provinciana e de lugares mais distantes, na geografia e no tempo, como Estocolmo, Atenas ou Kioto dos tempos imperiais. E descubro revistas e livros. Em português e alemão. Em francês, italiano, espanhol e russo. Em japonês, chinês e esperanto. Primeiras edições. Raridades. Edições há muito esgotadas. História e política, biografias e viagens, crônicas, filosofia, ciências, romances, contos e poesia. Muita poesia!

Ah, a poesia da praça!... A poesia da rua. A poesia do Brique. Traduzida em cores e formas. Poesia em formato de gente também antiga e de gente mais jovem que vem aqui para passear. Mas também para procurar. Para pesquisar. Para buscar. Na tentativa de resgatar do passado um pouco do que foi se perdendo pelo caminho e do que só restaram vestígios e vagos fragmentos dispersos.

Evandro