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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Da terra


RAÍZES, TRONCOS E CAULES

    A terra e as raízes. Troncos de cascas envelhecidas, caules, ramos e ramadas. Folhas e cipós...  O marrom e o verde, ornamentados, vez por outra, com florações amarelas ou vermelhas.  Formas inusitadas, esquisitas que, apesar disto realçam-se pela harmonia e elegância de que se revestem mesmo nos lugares mais improváveis. Umas se escondem, ocultam-se, abstraem-se ao olhar menos atento do passante descuidado. Outras se exibem impudentes sem qualquer receio. Aqui um emaranhado de espécies diversas cuja afinidade não encontra explicação racional. Logo ali, um espécimen isolado dos demais sobressai soberano em seu território restrito. Cores e arranjos, matizes e feitios, tudo mesclado numa desordem surpreendentemente graciosa e coerente que encanta e enternece. 















    Não me questionem sobre seus nomes, ramos, famílias, gêneros, espécies. Isto diz respeito aos botânicos. Não é a minha especialidade. Amanhã, talvez, eu procurarei saber, pois gostando delas como eu gosto, com certeza, qualquer dia, precisarei tratá-las com mais intimidade. Por enquanto permitam apenas que eu as aprecie e fotografe.

Evandro 

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O outro lado do sonho - Parte 2/2

A VIDA PASSOU POR AQUI
Conclusão









Olho o que restou dos monumentos da praça que, alguma vez, em placas de bronze, registraram efemérides que resgatavam a história da Cidade. Procuro as marcas que reverenciaram algum nome ilustre, uma data importante. Nada encontro. Com pesar examino o coreto onde, certamente, as fanfarras tocaram nos dias de festa. Vejo os bancos, hoje carcomidos, nos quais as pessoas sentaram ao cair da tarde e nos domingos ensolarados.

Penso nas cores e na efervescência que um dia enfeitaram a praça e no alarido esfuziante da população engalanada. Ironicamente o céu, acima, permanece escuro, enquanto que ao redor tudo é silêncio. Um silêncio opressivo e pesado. Pesado demais para a expectativa que alimentei durante tanto tempo.

Sim, decepção. Sinto-me quase deprimido. A tristeza é profunda. Imensa. Só ruinarias e escombros constituem o acervo que me cerca. E as pessoas? Onde foram todos? O que foi feito deles? Por que ninguém responde?

Atrasei-me. Muito. Custei a chegar. Não pude vir aqui quando devia e agora que o faço não encontro ninguém para compartilhar uma saudação, trocar uma palavra, repartir um sorriso. A cidade está deserta. Deserta e morta!... A vida já passou por aqui, bem antes de mim, e foi embora, talvez para sempre!... Nada mais me resta fazer.

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O outro lado do sonho - Parte 1/2

A VIDA PASSOU POR AQUI









Cedo, na manhã, o Sol deu ares de que ia aparecer. Então preparei-me e saí à cata de paisagens bonitas. Em busca de lugares graciosos, onde pequeninas casas ajardinadas, ao redor de praças também floridas, compusessem cenários coloridos e bucólicos repletos de beleza singela.

Decidira, nesse dia, conhecer uma Cidade não muito distante, à qual eu nunca fora antes, mas que, talvez por razões até sentimentais, ansiava por conhecer. No percurso, o Sol, que mal ensaiara sua entrada triunfal, mudou de idéia. Ocultou-se, encoberto pelas nuvens cinzentas.

Chegado ao destino, deparei-me com uma realidade que eu não imaginava. O tempo havia deixado lá apenas rastos de um passado cujos vestígios ainda atestam, teria sido promissor e alegre.

Agora observo, consternado, estas casas em ruínas. Tento adivinhá-las em sua época gloriosa, quando repletas de pessoas felizes envolvidas com os afazeres diários. Imagino algazarra de crianças saindo para a escola, brincando na praça e correndo pelas ruas tranqüilas. E por breves instantes procuro os fantasmas dos trabalhadores que a cada dia labutaram no Arsenal, mas nem o espectro sutil de algum deles se materializa na paisagem fantástica.

- continua –

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A segunda Capital Farroupilha - IV

CAÇAPAVA DO SUL - RS





Gostei muito deste busto em bronze do grande General Bento Gonçalves, um dos mais belos que eu já tive oportunidade de conhecer, e cujo estado de conservação é impecável. É obra digna de registro. Está erigido ao lado da Matriz e é uma homenagem aos heróis farroupilhas de 1835.
O outro ponto que destaco e que merece uma visita é o Forte Dom Pedro II. Fica bem próximo ao Centro, no final da Rua XV de Novembro. Trata-se de uma obra bonita, mas inconclusa, à qual o tempo se encarregou de acrescentar suas marcas. Também está bem conservado, com raros vestígios de maus tratos. Tem a forma de um polígono hexagonal que nas fotos não pude mostrar pois é preciso ser vista do alto. Suas paredes de pedra têm mais de um metro de largura e de oito a 10 metros de altura. A construção teve início em 1848 sendo suspensa oito anos depois e não mais retomada.
O Forte foi projetado pelo Gen. José de Souza Soares de Andrea, Barão de Caçapava, que na ocasião era Presidente da Província e Comandante das Armas. Destinava-se à fortificação da Vila de Caçapava com a finalidade de deter o ataque de invasores.
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A segunda Capital Farroupilha - III

CAÇAPAVA O SUL - RS





Levei de Caçapava do Sul uma impressão ambígua, pois trata-se – pelo pouco que pude ver – de uma Cidade muito bonita, agradável e hospitaleira, mas que tem seu acervo arquitetônico bastante comprometido.
Julgo serem urgentes maiores cuidados quanto à restauração e preservação desse belo patrimônio. Exemplos disto – além da Matriz , sua praça e áreas contíguas – são os prédios do Clube União, da Escola Municipal e do próprio Centro Cultural sediado no edifício onde funcionou o Forum, todos necessitando de melhor atenção.
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A segunda Capital Farroupilha -II

CAÇAPAVA DO SUL - RS





Estas quatro fotos mostram a fachada e uma parte lateral da imponente Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição.
Sua construção teve início em 15 de agosto de 1815 mas só foi concluída em 1935, ou seja, cento e vinte (!) anos depois. É tombada pelo Patrimônio Histórico. Infelizmente encontrei-a exatamante assim, fechada, extremamente deteriorada, como as fotos mostram. Uma placa e alguns andaimes revelam que está (ou esteve) em fase de “restauração”. A cor original parece-me que é o cinza e a que foi utilizada para a interveção é amarela. A obra foi interditada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) por terem sido verificadas irregularidades e alterações em sua arquitetura original. O aspecto atual é bem desolador.
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