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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Restinga Seca - V

UM NOME, ALGUNS NÚMEROS E DATAS







Sempre que penso em Restinga Seca, a imagem que à Cidade mais associo é de Iberê Camargo, um dos mais conhecidos artistas plásticos rio-grandenses e um dos maiores pintores, gravadores e escultores do Brasil.

Aprecio muito seus trabalhos, principalmente os primeiros, antigos, que me parecem mais alegres. Os últimos, para o meu gosto, são um tanto “pesados”, escuros, o que me causa uma impressão meio mórbida que, ainda assim, não anula, de nenhum modo, minha admiração e respeito por ele, nem a grandeza de seu talento e a magnitude de sua obra.

Iberê nasceu em Restinga Seca em 18 de novembro de 1914 e morreu em Porto Alegre em 9 de agosto de 1994. Perguntei às pessoas se sua casa ainda existia, pois queria conhecê-la. Ela não existe mais. Mas fiquei sabendo que ficava próxima de uma antiga caixa d’água junto à velha Estação da Viação Férrea. Mostraram-me o caminho e fui até lá, onde fotografei a caixa d’água, a estação e duas outras casas antigas, muito deterioradas mas que conservam, apesar disto, uma elegância quase aristocrática. (Tenho pena das velhas casas que as pessoas relegam ao abandono e terminam se transformando em ruínas!...).

A estação do trem está desativada e mal conservada, o que é sempre lamentável e nos causa um misto de nostalgia e frustração. Ela foi construída em 1898 e fazia parte da linha de estrada de ferro Porto Alegre – Uruguaiana, criada em 1885.



Não tenho como reconstituir a história da Cidade, mas levantei alguns dados (como faço sempre) que julgo importantes para que as pessoas ao menos se orientem quanto aos lugares que mostro em minhas fotos. Assim, anotei que Restinga Seca se situa na Região Central do RS, integra a Quarta Colônia de Imigração Italiana e tem uma população de mais ou menos dezesseis mil habitantes (há outros números conflitantes, mas a média, imagino, é aproximadamente esta).

Sua emancipação ocorreu em 25 de março de 1959, desmembrando-se de Cachoeira do Sul (da qual era distrito), através da Lei Estadual nº 3730/59. Por rodovias muito boas, com asfalto excelente e bem sinalizadas, fica distante cerca de 65 km de Santa Maria e 280 km de Porto Alegre. Faz divisas com diversos municípios, como Formigueiro, Dona Francisca, Agudo, São João do Polêsine, Paraíso do Sul, São Sepé, Silveira Martins, Cachoeira do Sul e Santa Maria, e a localização geográfica é 29°48’48” de latitude Sul e 53°22’30” de longitude Oeste. A altitude é de 49 metros.

- conclui a seguir -

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Rescaldos de fim de ano - II

SANTA MARIA (RS)
VIAÇÃO FÉRREA





Quem conheceu a antiga e movimentada Estação Ferroviária de Santa Maria no seu apogeu, sente hoje um profundo pesar quando olha os escombros que ainda teimam em se manterem em pé. Construção de 1885, não resistiu ao tempo e ao "progresso". 

Era – nos idos de 1959, quando a conheci – ainda efervescente. Entroncamento ferroviário mais importante do Estado, por ali passavam trens em todas as direções e os passageiros de inúmeras origens se cruzavam num vai-vem constante em busca de seus destinos. 

Fiz estas fotos no dia 8 de novembro (dia da festa da Medianeira), depois de passeio pleno de saudosimo e melancolia pelo que restou de suas dependências. 

Apesar dos estragos, ainda pode-se avaliar a beleza da velha estação. Sua fachada principal aparenta, externamente, alguma conservação, mas se andarmos pela plataforma podemos constatar do quanto o descaso e a negligência (muito mais do que o tempo) com um patrimônio de valor inestimável, é capaz. 

É uma pena!

Evandro

quinta-feira, 11 de junho de 2009

A linha férrea da Vila Nova

UM TREM PASSOU POR AQUI






Levei quase trinta anos para fazer estas fotos. A primeira vez que estive aqui foi no final de 1979, ou início de 1980. O lugar atual não sofreu praticamente nenhuma alteração, desde aquele tempo, a não ser, certamente, a vegetação, que cresceu bastante.

A preservação destes vestígios, quase intactos, deve-se ao fato deles estarem escondidos atrás de extenso muro em área onde, por volta de 1912, circulava o trem que ia da estação da Tristeza, via Pedra Redonda até Belém Velho, passando pela Vila Nova. Pois estes restos da antiga ponte – ou o que quer que tenha sido – pela qual passava a linha férrea, está localizado exatamente na Vila Nova.

Sempre tive vontade de reconstituir o percurso que esse trem fazia. Já consultei inúmeras publicações e mapas antigos, mas em nenhum encontrei o traçado da linha. As pessoas com quem falo não sabem, não conhecem, "mal ouviram dizer".

Até o ponto onde as estações se localizavam é difícil de estabelecer. O lugar mais conservado e com uma extensão mais significativa, que ainda encontramos, é o da Vila Conceição, antes de chegar à Pedra Redonda. Ali ainda existe uma espécie de túnel, magnífico, sobre o qual existe outra ponte em arco. Nos demais lugares, como este, da Vila Nova, nenhuma outra referência é possível encontrar, que possibilite fazer a ligação entre os pontos principais e imaginar o caminho à época existente e que foi de grande importância econômica para a Zona Sul da Cidade.

A linha foi desativada entre 1932 e 1938. É só o que consegui apurar. Agora, quase trinta anos depois que descobri esta preciosidade, é que consegui fazer as fotos, com autorização do proprietário da área.

Valeu a pena a espera.
Evandro