quarta-feira, 9 de julho de 2014

Vestígios do meu jardim - I

CINE THEATRO ORPHEU

Foram apenas 71 anos. Desde que foi inaugurado no dia 3 (ou 6?...) de outubro de 1923, até 1994, ano de seu fechamento irreversível e melancólico, o CINE ORPHEU (Cine Astor, a partir de  1963, quando sofreu remodelação) constituiu-se no centro da vida cultural da Floresta . Não tenho em minha memória, registro de peças ou espetáculos teatrais que, acredito, ali tenham sido apresentados. Das sessões de cinema, contudo, recordo de algumas. Não muitas, pois não o freqüentei com assiduidade – o que hoje lamento. Ah, se pudéssemos adivinhar!... Quando se é adolescente – mesmo aficionado por cinema – a gente não se prende muito a um único lugar por muito tempo, principalmente quando se viveu na época a que me refiro: Porto Alegre possuía algumas dezenas de salas cinematográficas, não apenas no Centro, mas em praticamente todos os bairros. Hoje, os cinemas imensos, com mais de mil lugares – o Orpheu, quando começou a funcionar, tinha perto de 1.400 poltronas! – não mais existem nem mais ornamentam as ruas e avenidas com suas fachadas de inigualável beleza arquitetônica e com a mágica luminosidade de seus letreiros de neon, destacando os títulos dos filmes em cartaz.  







Ontem, dia 8 de julho de 2014, passei por ele, ao acaso, vindo de destino muito diverso. Minha câmera estava no carro, como de hábito, e mesmo com dificuldade para encontrar um ponto para estacionar, consegui uma vaga na Área Azul, depois de dar algumas voltas pelos quarteirões próximos. Fui até lá e, por ironia, constatei que o velho e caro Cinema Orpheu, hoje somente uma fachada mal conservada e quase em ruínas, abriga, por trás dessa única e derradeira parede... um estacionamento! 



O que sobrou desse templo de arte, mostro a vocês nesta postagem. Não vou incluir aqui todas as fotos que fiz da parte interna. Faço tal opção em respeito à memória dos grandes filmes e magníficas sessões de gala que, dentro dela, devem ter acontecido. Eu não cometeria o sacrilégio de revelar aqui o estado deplorável em que se encontra o que dela restou.  




Penso que os detalhes que retratei são suficientes para dar uma idéia da grandiosidade desta construção histórica, fadada ao desaparecimento, seguindo o destino de tantas outras similares que, um dia, fizeram do Meu Jardim, um lugar lindo... e inesquecível. 

Evandro

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P. S. – Um pouco da história do Cinema Orpheu pode ser encontrado nos seguintes sites:



terça-feira, 1 de julho de 2014

Por terras lusitanas - IV

PORTO - II 
- CONCLUSÃO - 

Dedicado aos amigos Manuel e Fernanda. 



ACIMA - Mercado do Bolhão. Localiza-se na Baixa do Porto, Freguesia de Santo Ildefonso no perímetro formado pelas Rua de Fernandes Tomás, Rua Formosa,  e ruas Alexandre Braga e Sá da Bandeira. Abriga lojas de produtos alimentícios, frutas, verduras, floristas, mercearias e demais mercadorias congêneres. Construção de 1914, com projeto do arquiteto Correia da Silva, combina estruturas metálicas, coberturas de madeira e cantaria de pedra granítica. 



ACIMA - Praça da Liberdade. Monumento a Dom Pedro IV (D. Pedro I, no Brasil). Bela estátua equestre, cuja construção foi iniciada em 1862, sendo inaugurado no dia 19 de outubro de 1866. Obra do escultor Célestin Anatole Calmels, fundida em bronze. 



ACIMA - Avenida dos Aliados. É a avenida principal da Cidade do Porto. Bastante ampla, possui, em ambos os lados, um conjunto arquitetônico de grande beleza. Nela se encontra, também, esta estátua em mármore. “Juventude” é o seu nome oficial, mas também é chamada de “a Menina dos Aliados”. Obra do escultor Henrique Moreira, foi inaugurada em 1929. 







ACIMA - A Foz do Douro. Também chamada de Foz Velha. Percurso junto à orla, feito basicamente pelas Avenida Montevidéu, Avenida do Brasil, Rua Cel. Raul Peres e Rua Passeio Alegre. Na margem oposta do Douro (margem Sul), vê-se o Município de Vila Nova de Gaia.

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Pretendo voltar ao Porto em 2015. Dessa vez, porém, durante o Verão e com tempo suficiente para explorar esta Cidade linda e suas circunvizinhanças, descobrindo nela tudo aquilo que sei que ela tem e que não me foi possível desfrutar desta vez. Por enquanto vou curtindo as fotos que trouxe de lá e um pouquinho da saudade que veio comigo na bagagem, na manhã chuvosa em que tomei o Comboio na Estação de Campanhã, para voltar para Lisboa.

Evandro 

Por terras lusitanas - IV

PORTO - I 

Dedicado aos amigos Manuel e Fernanda.

A cidade do Porto é Capital do Distrito do Porto, situado a noroeste de Portugal. Tem uma população próxima de 240.000 habitantes, sendo a segunda maior Cidade portuguesa. Faz parte da Área Metropolitana do Porto, que congrega 17 municípios, nos quais contam-se aproximadamente 2.500.000 habitantes. Sua fundação data do ano 1123 contando, portanto, atualmente, 891 anos. Originou-se de um povoado pré-romano denominado, por essa época, Cale ou Portus Cale que teria dado origem ao nome Portugal.

As fotos que publico hoje foram feitas no final de março deste ano. Lamentavelmente estive pouco tempo nesta encantadora Cidade, pois compromissos previamente agendados – e inadiáveis – nos prendiam (a mim e a minha mulher) a Lisboa, à qual precisávamos regressar. A época é, naturalmente, de dias frios e bastante chuvosos, o que me dificultou bastante o registro fotográfico das belas ruas, avenidas, praças, passeios, igrejas e monumentos, temas aos quais sempre dou destaque em minhas andanças.

Apesar de tudo, e tendo por cicerones um casal de amigos de longos anos, que nos receberam e hospedaram com a tradicional hospitalidade lusitana, foi possível fazer uma quantidade razoável de fotos, das quais selecionei algumas cuja qualidade consegui preservar. 



ACIMA - (1) Capela das Almas – ou Capela de Santa Catarina. Fica na Freguesia de Santo Ildefonso e logo me chamou a atenção pelos azulejos que a decoram exteriormente nas paredes da fachada, da torre e lateral. - (2) A caminho da Praça Almeida Garret e Rua de Sá Bandeira, onde encontramos a belíssima Estação de São Bento. À Esquerda da foto destaca-se a Igreja dos Congregados e na parte mais alta, ao fundo, vemos a Igreja  de Santo Ildefonso  em frente da Praça Batalha. - (3) A Igreja e a Torre dos Clérigos. Construções em estilo barroco, edificadas no Séc. XVIII. Obras de Nicolau Nasoni.  A Torre é a mais alta, no gênero, em todo o País. Possui internamente 225 degraus que conduzem os visitantes para apreciarem vistas admiráveis. 





ACIMA - A Cidade do Porto, além da arquitetura surpreendente de suas edificações, conta com intenso comércio. Lojas de todos os produtos que se possa imaginar alinham-se ao longo das belas ruas e avenidas. Nesta sequência vemos (1) detalhe de uma fachada; (2) parte da fachada e marquise da Loja Marc Jacobs; (3) trecho com fachadas da Rua dos Carmelitas com destaque para a “Fábrica e Armazém das Carmelitas"; (4) placa na entrada da Garrafeira do Carmo, onde se encontram vinhos – inclusive importados – da melhor qualidade; (5) a Casa Ramos (Rua Sá da Bandeira, também com variado estoque de vinhos e produtos alimentícios); (6) fachada da Relojoaria Mendonça (fundada em 1957, também na Rua Sá da Bandeira). (7) Uma preciosidade que encontrei mas não pude visitar em virtude de, na ocasião, estar fechada foi a sesquicentenária Livraria Prólogo (vitrine), fundada em 1881, antecessora da Livraria Lello (na Rua dos Clérigos), que iniciou suas atividades em 1930. É uma das mais conceituadas editoras do mundo e que nos remete ao clássico Dicionário Enciclopédico, que todos conhecemos como “Lello Universal”.  A foto destaca o belo ex libris com a divisa da editora: Decus in Labore (“Dedicação ao Trabalho”). 


ACIMA - Estes quiosques são encontrados em profusão, nos mais diversos pontos da Cidade. São uma marca e um atrativo aos quais não podemos ficar indiferentes. 




ACIMA - Carmo. Praça de Carlos Alberto. Igreja do Carmo ou Igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo. Praça Gomes Teixeira. Universidade do Porto. Eléctrico (bonde) linha 22 Carmo/Batalha.  





ACIMA - Bonde (elétrico) da linha Batalha. As amplas avenidas e belos edifícios do Centro. 

- Continua -