segunda-feira, 27 de julho de 2009

Uma Praça e muitos nomes - I

MATRIZ OU DEODORO?
TALVEZ UMA QUESTÃO DE PREFERÊNCIA



"O Sr. pode me dizer onde fica a Praça Marechal Deodoro?" – pergunta o forasteiro, meio perdido em Porto Alegre. "Puxa!... – diz o transeunte, pego de surpresa. "Tem certeza de que é este mesmo o nome que está procurando?" Depois de pensar mais um pouco, reluta mas meio encabulado confessa: "Me desculpe, mas não posso ajudá-lo. Não sei mesmo onde é que fica essa praça, nem se existe." Acontece que, mesmo sem saber, ambos, parados na esquina da "Rua da Ladeira" (General Câmara) com a "Rua da Praia" (Andradas) estão distantes apenas duas quadras da praça que o "desligado" porto-alegrense, conhece como "Praça da Matriz". 

Ficção? Não. É a pura realidade. Os porto-alegrenses, via de regra não sabem os nomes oficiais dos logradouros e de muitos outros locais desta "Mui Leal e Valerosa Cidade". Mas, com certeza, todos sabem se orientar e orientar quaisquer visitantes, quando a identificação desses lugares é feita no "nome antigo", tradicional, aquele dos tempos românticos em que nossa Província tinha ares muito diferentes dos de hoje. 

Todavia, a Praça Marechal Deodoro existe e este é o seu nome oficial desde 1889, por Decreto Municipal de 11 de dezembro daquele ano. Mas antes teve outros nomes, como os que deram origem ao que lhe é atribuído ainda nos dias atuais: foi Largo do Palácio ou Largo da Matriz desde 1773 até 1858 – ano da construção do Theatro São Pedro, quando recebeu o nome de Praça Dom Pedro II para homenagear o nosso grande Imperador, quando aqui esteve em visita à Capital da Província, nome este que perdurou até a oficialização do atual, que (quase) ninguém sabe.  

Pois foi aqui na Praça Marechal Deodoro, ou "Praça da Matriz", que fiz estas fotos. Nelas procurei harmonizar dois grandes ícones, dentre os demais que fazem parte dela ou do seu entorno, numa síntese histórico-cultural da minha Porto Alegre de todos os tempos: a Catedral Metropolitana e o magnífico monumento erigido em memória do eminente político, jornalista e líder republicano, Júlio Prates de Castilhos, monumento este que foi o motivo principal desta tiragem. 

- continua -

Nenhum comentário: